
Uma das opções de lazer dos grandes centros urbanos, é a famosa visita ao zoológico. As crianças adoram. A maioria dos adultos também. Relembram tempos passados, quando ainda pequenos, alimentavam macacos com pipoca e observavam os leões zangados a rugirem.
Ainda hoje, esse passeio é feito regularmente por muitas famílias e o leão, continua como o bicho mais visitado. Entretanto uma pergunta não cala. O rei das selvas e seus irmãos, são realmente felizes enjaulados? “Ora, são apenas animais”, dizem alguns “Alguns alem do mais, estão alimentados, tomam banho de sol regularmente e ainda recebem visitas”, afirmam outros. Considerações como essas nos fazem refletir e traçar uma analogia ao atual sistema carcerário no Brasil, torna-se inevitável.
Por trás das paredes dos grandes presídios, podemos enxergar facilmente um verdadeiro zoológico. A diferença é que lá, os animais são outros. Homens e mulheres retirados do convívio social, em decorrência de algum tipo de delito. Do roubo de um pote de margarina do mais terrível homicídio.
A questão que deve ser discutida por todos, é se o atual modelo prisional, colabora para a reintegração do indivíduo ao meio social. Algumas conclusões são obvias. Se consideramos fatores como a superpopulação nas celas a falta de vontade do poder judiciário e o descaso da sociedade, a respeito será não!
Aquele que cometeu o delito, deve pagar. Entretanto atualmente, mais do que “recuperar” esse indivíduo, o sistema prisional transforma-o numa verdadeira fera.
As celas estão superlotadas. Espaços construídos para abrigar 15 pessoas, recebem mais de 70. E não é preciso ir aos grandes presídios do Rio de Janeiro e São Paulo, para verificarmos essa realidade. Em Salvador o problema é o mesmo, retratado com freqüência em programas populares de rádio e TV, alem dos jornais.
Infelizmente, é uma triste realidade, onde nada é mudado. Os Marcolas e Fernandinhos, frutos desse sistema, continuam a dominar. Fazem das suas novas leis da selva carcerária no Brasil. Tornaram-se verdadeiros reis do sistema carcerário. Cientes de que ao contrario dos grandes felinos, na atual situação, não correm riscos de extinção.
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